{"id":800,"date":"2026-06-12T10:36:40","date_gmt":"2026-06-12T13:36:40","guid":{"rendered":"https:\/\/iap-studio.com\/?p=800"},"modified":"2026-06-12T10:41:11","modified_gmt":"2026-06-12T13:41:11","slug":"vai-brasa-when-a-good-idea-meets-the-wrong-narrative","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/vai-brasa-when-a-good-idea-meets-the-wrong-narrative\/","title":{"rendered":"Vai Brasa: quando uma boa ideia encontra a narrativa errada"},"content":{"rendered":"<h4>Recentemente, a Nike apresentou os novos uniformes da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira para a Copa do Mundo de 2026. Como parte do projeto, a marca trouxe um conceito chamado \"Vai Brasa\", que aparecia como um dos elementos centrais da campanha.<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=Vai+Brasa&amp;rlz=1C5CHFA_enBR873BR873&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vai Brasa<\/a>,&#8221; which appeared as one of the campaign&#8217;s central elements.<\/h4>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o era clara: criar uma linguagem mais pr\u00f3xima do torcedor, refor\u00e7ar uma identidade brasileira contempor\u00e2nea e aproximar ainda mais a Sele\u00e7\u00e3o de seu p\u00fablico.<\/p>\n<p>Mas a discuss\u00e3o rapidamente deixou de ser sobre a campanha.<\/p>\n<p>Ela passou a ser sobre a origem da express\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a apresenta\u00e7\u00e3o do projeto, foi explicado que \"Brasa\" seria uma forma tradicional utilizada pela torcida para se referir ao Brasil e \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico foi imediata. Grande parte dos torcedores simplesmente n\u00e3o se reconheceu naquela descri\u00e7\u00e3o. A percep\u00e7\u00e3o foi de que se tentava apresentar como tradi\u00e7\u00e3o algo que n\u00e3o fazia parte da mem\u00f3ria coletiva do futebol brasileiro.<\/p>\n<p>E, quando isso acontece, a conversa muda completamente.<\/p>\n<p>O p\u00fablico deixa de discutir a ideia e passa a discutir a legitimidade da ideia.<\/p>\n<p>\u00c9 uma pena.<\/p>\n<p>Porque, honestamente, o Vai Brasa tinha potencial.<\/p>\n<p>O erro talvez n\u00e3o tenha sido criar uma express\u00e3o nova.<\/p>\n<p>O erro pode ter sido justamente o contr\u00e1rio: n\u00e3o assumir que ela era nova.<\/p>\n<p>Marcas t\u00eam autoriza\u00e7\u00e3o para criar s\u00edmbolos, slogans e express\u00f5es. Na verdade, fazem isso o tempo todo. Algumas das frases mais famosas da publicidade mundial n\u00e3o nasceram da cultura popular. Elas nasceram dentro de ag\u00eancias, est\u00fadios e departamentos de marketing.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium\" src=\"https:\/\/assets.b9.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/vai-brasa-selecao-brasileira.jpg\" alt=\"Vai Brasa\" width=\"1024\" height=\"935\" \/><\/p>\n<p>O que acontece \u00e9 que essas campanhas normalmente n\u00e3o tentam convencer as pessoas de que aquilo sempre existiu.<\/p>\n<p>Elas convidam as pessoas a participar da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe uma diferen\u00e7a importante entre dizer:<\/p>\n<p>\"Isso j\u00e1 faz parte da nossa cultura.\"<\/p>\n<p>e dizer:<\/p>\n<p>\"Vamos construir isso juntos.\"<\/p>\n<p>No primeiro caso, a marca tenta se apoiar em uma heran\u00e7a que j\u00e1 deveria existir.<\/p>\n<p>No segundo, ela convida as pessoas a criarem algo novo.<\/p>\n<p>E talvez fosse exatamente a\u00ed que estivesse a grande oportunidade do Vai Brasa.<\/p>\n<p>Imagine por um instante uma abordagem diferente.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de apresentar o Vai Brasa como uma express\u00e3o tradicional das arquibancadas brasileiras, a campanha poderia ter assumido exatamente o que ela era: uma proposta.<\/p>\n<p>Um convite.<\/p>\n<p>Uma nova forma de torcer.<\/p>\n<p>A mensagem poderia ser simples: o futebol muda, as gera\u00e7\u00f5es mudam e a forma de torcer tamb\u00e9m muda. A Sele\u00e7\u00e3o Brasileira est\u00e1 entrando em uma nova Copa do Mundo, com novos jogadores, uma nova gera\u00e7\u00e3o de torcedores e um novo momento da sua hist\u00f3ria. E toda gera\u00e7\u00e3o tem o direito de criar seus pr\u00f3prios s\u00edmbolos.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o Vai Brasa deixaria de ser uma tentativa de resgatar uma tradi\u00e7\u00e3o e passaria a ser uma tentativa de criar uma.<\/p>\n<p>O slogan poderia estar nas camisas, nos materiais promocionais, nos v\u00eddeos da campanha e at\u00e9 mesmo nas arquibancadas. Os jogadores poderiam incorpor\u00e1-lo em suas comemora\u00e7\u00f5es. Os torcedores poderiam ser convidados a utiliz\u00e1-lo nas redes sociais. A express\u00e3o poderia funcionar como um grito de incentivo, uma forma de empurrar a equipe durante a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais importante ainda: o p\u00fablico teria a liberdade de decidir se aquilo merecia ou n\u00e3o se tornar parte da cultura do futebol brasileiro.<\/p>\n<p>Porque tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o decretadas.<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o adotadas.<\/p>\n<p>Nenhuma marca tem o poder de determinar o que far\u00e1 parte da cultura popular. O m\u00e1ximo que ela pode fazer \u00e9 lan\u00e7ar uma ideia ao mundo e permitir que as pessoas escolham se querem carreg\u00e1-la adiante.<\/p>\n<p>Talvez o Vai Brasa se tornasse um sucesso.<\/p>\n<p>Talvez desaparecesse depois da Copa.<\/p>\n<p>Talvez virasse apenas uma curiosidade de uma campanha espec\u00edfica.<\/p>\n<p>Mas essa decis\u00e3o pertenceria ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>E isso faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Existe outro aspecto interessante nessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, a publicidade construiu campanhas em um ambiente onde poucas pessoas tinham acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. As marcas falavam. O p\u00fablico escutava.<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o funciona mais assim.<\/p>\n<p>Hoje qualquer afirma\u00e7\u00e3o pode ser questionada, investigada e confrontada em quest\u00e3o de minutos. A informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 distribu\u00edda. As pessoas verificam. Debatem. Contestam.<\/p>\n<p>Isso faz com que autenticidade n\u00e3o seja apenas uma virtude desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ela se tornou um ativo estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>Quando uma marca tenta parecer algo que n\u00e3o \u00e9, a rea\u00e7\u00e3o costuma ser r\u00e1pida.<\/p>\n<p>Quando uma marca assume com clareza aquilo que \u00e9, as pessoas tendem a ser muito mais receptivas.<\/p>\n<p>A verdade tem uma caracter\u00edstica valiosa: ela n\u00e3o precisa ser sustentada por esfor\u00e7o constante.<\/p>\n<p>Ela se sustenta sozinha.<\/p>\n<p>Por isso, talvez a maior li\u00e7\u00e3o do Vai Brasa n\u00e3o esteja no slogan em si.<\/p>\n<p>A ideia era boa.<\/p>\n<p>Talvez boa at\u00e9 demais para ser apresentada da maneira como foi.<\/p>\n<p>O que essa hist\u00f3ria nos mostra \u00e9 que autenticidade n\u00e3o limita a criatividade. Pelo contr\u00e1rio. \u00c9 justamente ela que d\u00e1 credibilidade para que a criatividade funcione.<\/p>\n<p>Marcas n\u00e3o precisam inventar passados.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisam reivindicar tradi\u00e7\u00f5es que as pessoas n\u00e3o reconhecem.<\/p>\n<p>Elas podem simplesmente criar algo novo e convidar o p\u00fablico para participar da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando isso acontece, a campanha deixa de ser uma tentativa de convencer.<\/p>\n<p>Ela se transforma em uma oportunidade de pertencimento.<\/p>\n<p>No <a href=\"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/the-studio\/\">IAP<\/a>Na IAP, acreditamos que toda constru\u00e7\u00e3o de marca come\u00e7a por esse princ\u00edpio. Antes de pensar em slogans, campanhas ou identidades visuais, buscamos entender aquilo que j\u00e1 existe de verdadeiro em cada neg\u00f3cio. Porque marcas fortes n\u00e3o s\u00e3o constru\u00eddas sobre personagens. S\u00e3o constru\u00eddas sobre ess\u00eancia.<\/p>\n<p>E quanto mais verdadeira for essa ess\u00eancia, maior a chance de ela encontrar espa\u00e7o na mente das pessoas.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recently, Nike unveiled the new Brazilian National Team kits for the 2026 World Cup. As part of the project, the brand introduced a concept called &#8220;Vai Brasa,&#8221; which appeared as one of the campaign&#8217;s central elements.<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":802,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"fifu_image_url":"https:\/\/media.iappropaganda.com.br\/Imagens\/iapstudio\/Posts\/Thinking-2.jpg","fifu_image_alt":"Vai Brasa","iawp_total_views":1,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-800","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-thinking"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=800"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/800\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":807,"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/800\/revisions\/807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/802"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/iap-studio.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}